Em uma palestra sobre o livro A Sagrada Família(de Marx e Engerls) foi perguntado ao palestrante qual a diferença entre a “moral” de Nietzsche e a de Marx. Não sou um profundo conhecedor de Nietzsche mas fiquei tentando responder a questão mentalmente e gostaria de dividir com vocês as conclusões a que cheguei, conclusões estas um tanto quanto superficiais e incompletas, mas que servem de ponto de partida, nem que seja para a negação.
A principal diferença é que a moral para Marx é criada como fruto de um processo histórico, um modo de legitimação de um dado modo de produção, sendo assim toda idealização que se faz da moral, ou das morais é mera abstração, quando não falseamento das relações humanas. Ao passo que Nietzsche idealiza uma moral aristocrática que o homem deveria usar para se tornar superior(ou super-homem, supra-homem, übermensch), porém tal moral pura é dissociada do mundo material, das relações sociais que outrora a produziu.
Marx entende que a moral sendo criação da vida material está condicionada ao modo de produção dos meios materiais para a reprodução dessa vida material, um modo de produção diferente engendraria uma moral diferente, por exemplo: quando o modo de produção feudal passou ao modo de produção burguês, uma moral feudal (geralmente associada ao catolicismo) não mais poderia ser utilizada para legitimar esse novo modo de iteração social, a verdadeira moral passa agora a ser uma moral burguesa(a moral protestante, por exemplo).
Nietzsche inverte essa relação dando a moral o papel de propulsora da mudança social, o homem deve transvalorizar os valores para dar lugar ao super-homem, a mudança opera primeiro no campo subjetivo para depois operar no campo objetivo.
Um diz: Revolucione o mundo material e a moral será Revolucionada, o outro exclama: tansvalore os valores e o novo Homem surgirá.
Não são as idéias quem condicionam o mundo material, as condições materiais de existência, o Homem; mas o mundo material, as condições matérias de existência, o Homem quem condicionam as idéias.