quinta-feira, 27 de março de 2008

A moral em Marx e Nietzsche

Primeiramente peço desculpas a todos pelo longo hiato desde a última postagem, prometo(sempre promessas) que contarei, um dia, o motivo desse afastamento.

Em uma palestra sobre o livro A Sagrada Família(de Marx e Engerls) foi perguntado ao palestrante qual a diferença entre a “moral” de Nietzsche e a de Marx. Não sou um profundo conhecedor de Nietzsche mas fiquei tentando responder a questão mentalmente e gostaria de dividir com vocês as conclusões a que cheguei, conclusões estas um tanto quanto superficiais e incompletas, mas que servem de ponto de partida, nem que seja para a negação.

A principal diferença é que a moral para Marx é criada como fruto de um processo histórico, um modo de legitimação de um dado modo de produção, sendo assim toda idealização que se faz da moral, ou das morais é mera abstração, quando não falseamento das relações humanas. Ao passo que Nietzsche idealiza uma moral aristocrática que o homem deveria usar para se tornar superior(ou super-homem, supra-homem, übermensch), porém tal moral pura é dissociada do mundo material, das relações sociais que outrora a produziu.

Marx entende que a moral sendo criação da vida material está condicionada ao modo de produção dos meios materiais para a reprodução dessa vida material, um modo de produção diferente engendraria uma moral diferente, por exemplo: quando o modo de produção feudal passou ao modo de produção burguês, uma moral feudal (geralmente associada ao catolicismo) não mais poderia ser utilizada para legitimar esse novo modo de iteração social, a verdadeira moral passa agora a ser uma moral burguesa(a moral protestante, por exemplo).

Nietzsche inverte essa relação dando a moral o papel de propulsora da mudança social, o homem deve transvalorizar os valores para dar lugar ao super-homem, a mudança opera primeiro no campo subjetivo para depois operar no campo objetivo.

Um diz: Revolucione o mundo material e a moral será Revolucionada, o outro exclama: tansvalore os valores e o novo Homem surgirá.

Não são as idéias quem condicionam o mundo material, as condições materiais de existência, o Homem; mas o mundo material, as condições matérias de existência, o Homem quem condicionam as idéias.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Estamos entre o Diabo e o Mar Azul

Em breve novidades

sábado, 23 de junho de 2007

Breve consideração sobre a Arte

A arte com fim em si mesma é vazia. Nesse sentido não há como diferenciar a estética presente numa ópera ou num funk carioca, pois ambas se prestam apenas ao divertimento transitório.
A arte tem um dever histórico com a vanguarda, dos renascentistas a Guernica, a arte foi sinônimo de dinâmica social, foi propulsora dessa dinâmica.
Mas hoje noto certa guinada para uma postura de imobilismo, uma banalização da arte, aceitando-a como mero entretenimento, a recente passagem do Circo de Soleil é um exemplo dessa arte de monumental “ocacidade”.
Isso quando ainda podemos falar em arte e artista, pois a cultura de mercado criou uma nova classe de “notáveis”, pessoas que não produziram nada, absolutamente nada de proveitoso para a sociedade, mas ainda assim são dignos de exaustivas entrevistas, extensa exposição e rápido ocaso.
Não é uma arte feita para durar, é apenas produto de mercado, e assim como nossos mais novos aparelhos eletrônicos tem vida útil(inútil?) cada vez mais curta. Poderíamos pensar que ao menos teríamos um consolo com isso, mas não, a extrema rapidez com que esses notáveis são mudados impede que parte da população consiga enxergar o quão vazios são seus novos, nessa altura do texto velhos, ídolos.
Arte vazia, rápida, infrutífera, sociedade dos fast-foods, das conversas fúteis, dos encontros ocasionais, dos relacionamentos passageiros ... no fim apenas reflexo do que nos tornamos.

Antonio Augusto Pereira
16 de Abril de 2007

Deus e sua relação com a potência para o mal

Suponhamos que exista um Deus regente e criador de tudo, inclusive de todas as regras que regem o universo, que você pode chamar de Deus, Jeová, Grande consciências cósmica, não importa.
Agora considere o Mal, a potência para o mal, e a sua transformação em ato.
A minha pergunta é Deus criou o mal? Se sim, com qual propósito? Visto que se ele criou tudo, provém dele também todas as regras que regem o universo, então qual o sentido em se criar o pecado, a potência para o mal. Qual o sentido em se criar aquilo que segundo o que se acredita nos afasta dele?
Se não, então quem criou? Estaria Deus subordinado a regras que ele não controla?
Mas há uma terceira resposta possível, ele não criou o mal, o mal foi criado por uma das suas criações, nessa situação ele pode não ter criado o ato, mas visto ter provindo dele todas as regras universais, é necessário que tenha vindo dele a potência para o mal.

Poderam retrucar "Se sim, com qual propósito?" (...) Para que Sua Glória fosse manifesta tanto no ódio quanto no amor!

Mas se Deus queria a manifestação da sua gloria porque diabos criou uma regra que diz que sua glória para ser manifestada plenamente deve existir no ódio e no amor. E não simplesmente no amor? Porque se ele criou tudo, devo presumir que é dele a criação da necessidade do dualismo amor/ódio, bem/mal, assim por diante.
Até mesmo a necessidade de escolha para não nos sentirmos robôs, deve ser criação dele(para que ele seja todos os onis) não seria mais divina uma regra de glorificação só pelo amor e pela felicidade? Qual a necessidade de se criar a tristeza? Você pode me dizer, para dar-mos valor a alegria, pois bem ate essa necessidade tem que ter procedência divina, para se manter os pressupostos da existência e regência universal de Deus.

domingo, 3 de junho de 2007

De dentro, para dentro

De dentro, para dentro

Morre um pouco de mim
A cada novo conhecimento
Parece que ao descobrir o mundo
Minha individualidade se esvai
Num devir cósmico

A lucidez que alimento
Alimenta pouco a pouco
Uma loucura,
Um silêncio
Que me cala
Em um sorriso irônico
Cínico e melancólico

Quantas vezes li meus pensamentos
Sintetizados em caligrafia
Que não a minha
Quantas vezes minha caligrafia
Se esvaiu sem que compartilhassem
Dos meus pensamentos

Para andar no caminho divino
Vendi minha ignorância
Única fonte certa
De sorrisos e felicidade inocente

Apenas um fragmento
Daquilo que posso ser
Apenas um ponto de vista
Um ator que encena a si mesmo

Antonio Augusto Pereira





quarta-feira, 9 de maio de 2007

Aforismos - V

O coletivismo é alopatia, cura demorada, nem sempre indolor. O individualismo é placebo, ilusão de cura que esconde o avanço da doença.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Aforismos - IV

O conhecimento deixa as novidades com cheiro de museu.